{"id":126,"date":"2023-10-02T23:19:38","date_gmt":"2023-10-02T23:19:38","guid":{"rendered":"https:\/\/guiadoplanodesaude.com.br\/blog\/?p=126"},"modified":"2023-10-02T23:19:39","modified_gmt":"2023-10-02T23:19:39","slug":"alzheimer-na-periferia-carrega-diferentes-desafios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guiadoplanodesaude.com.br\/blog\/alzheimer-na-periferia-carrega-diferentes-desafios\/","title":{"rendered":"Alzheimer na periferia carrega diferentes desafios"},"content":{"rendered":"\n<h2>Alzheimer na periferia carrega diferentes desafios<\/h2>\n<p><em><strong>Alzheimer na periferia carrega diferentes desafios,<\/strong><\/em> Os sintomas de Josefa Maria Carneiro, 85, moradora de Heli\u00f3polis, em S\u00e3o Paulo, come\u00e7aram em 2001. O diagn\u00f3stico de Alzheimer, por\u00e9m, chegou 21 anos depois, em 2022, por meio do SUS (Sistema P\u00fablico de Sa\u00fade). Segundo a filha, Maria da Luz Jo\u00e3o Alexandre, 53, a m\u00e3e &#8220;nunca estudou, n\u00e3o sabe ler e nem escrever&#8221;, e sua \u00fanica doen\u00e7a, at\u00e9 a descoberta da dem\u00eancia, &#8220;era a press\u00e3o alta&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Ela passou a vida toda na ro\u00e7a cuidando dos filhos e do marido&#8221;, conta a filha, que trabalha em um CDI (Centro Dia do Idoso) e cuida da m\u00e3e aos finais de semana. A fam\u00edlia se reveza para ficar com a matriarca e a incluem em conversas e passeios, estimulando que caminhe no quintal e fa\u00e7a algum exerc\u00edcio para &#8220;n\u00e3o ficar deitada demais&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 o dia que Deus permitir, \u00e9 estar presente no que pode, incluir em tudo que vai, porque isso \u00e9 importante. Ela gosta de ir pra igreja, a gente leva. Dar carinho e amor \u00e9 o que podemos fazer&#8221;, diz Maria da Luz.<\/p>\n<p>As moradoras da periferia de S\u00e3o Paulo integram o grupo de pessoas que enfrentam o Alzheimer e outros tipos de dem\u00eancia em um contexto de vulnerabilidade social. Estudo feito por pesquisadores da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo) mostrou que regi\u00f5es mais pobres do Brasil seriam as principais beneficiadas se fatores de risco para dem\u00eancia, como baixa escolaridade e hipertens\u00e3o, fossem reduzidos por meio de pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes.<\/p>\n<p>Um levantamento publicado este ano pela Unifesp (Universidade Federal de S\u00e3o Paulo) revelou que aproximadamente 77% dos idosos brasileiros com dem\u00eancia n\u00e3o receberam o diagn\u00f3stico. As mulheres foram 60% da amostra e tiveram uma preval\u00eancia da doen\u00e7a mais alta que os homens: 6,8% nelas, para 4,6% neles.<\/p>\n<p>Na periferia de Ribeir\u00e3o Preto, no interior de S\u00e3o Paulo, vivem o pedreiro Paulo Sergio Bedurin, 53, e sua m\u00e3e, Tereza Pereira, 85, que descobriu o Alzheimer h\u00e1 cerca de 6 anos. De uma pessoa ativa e independente, a doen\u00e7a a transformou em uma paciente que precisa de cuidados em tempo integral.<\/p>\n<p>O dinheiro que a m\u00e3e recebe por meio de programa do governo para pessoas com defici\u00eancia \u00e9 direcionado ao pagamento de uma cuidadora, &#8220;que d\u00e1 banho e comida&#8221;, segundo Paulo.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 domingo que consigo alimentar e colocar pra dormir, mas para mim \u00e9 dif\u00edcil por causa do desgaste na perna, n\u00e3o aguento pegar peso&#8221;, diz o filho, que mant\u00e9m a casa com trabalhos tempor\u00e1rios.<\/p>\n<p>Nesse contexto, melhores condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas, fator ligado \u00e0 quest\u00e3o racial e a desigualdade de g\u00eanero no Brasil, exercem grande influ\u00eancia. &#8220;As mulheres s\u00e3o mais acometidas, s\u00e3o elas que t\u00eam menos acesso ao estudo, menos condi\u00e7\u00f5es de galgar postos de profiss\u00e3o&#8221;, diz Celene Queiroz Pinheiro, geriatra e presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Alzheimer (regional de S\u00e3o Paulo).<\/p>\n<p>A geriatra destaca que em pa\u00edses em desenvolvimento o risco \u00e9 exponencialmente maior que em locais onde h\u00e1 melhor acesso \u00e0 sa\u00fade. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda pior nas periferias, segundo ela. &#8220;Tem o tempo perdido no transporte p\u00fablico, a falta de um parque, o chegar em casa e ter que cuidar da casa. Como vai sair do sedentarismo, que horas faz exerc\u00edcio?&#8221;, questiona Pinheiro.<\/p>\n<p>Conseguir um diagn\u00f3stico precoce, tratamento e reabilita\u00e7\u00e3o de qualidade s\u00e3o outro ponto. &#8220;Existe dentro do SUS um prazo de dois a tr\u00eas anos, em m\u00e9dia, para a pessoa perceber e iniciar o tratamento, e sabemos que \u00e9 importante come\u00e7ar o quanto antes&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Com estudos indicando o aumento da incid\u00eancia da doen\u00e7a no Brasil e no mundo, a expectativa \u00e9 de que pol\u00edticas p\u00fablicas nacionais de cuidados para pessoa com dem\u00eancia sejam criadas. A estrat\u00e9gia deve incluir treinamento das equipes de sa\u00fade para o diagn\u00f3stico precoce, al\u00e9m de oferecer apoio, inclusive financeiro, aos cuidadores, segundo a m\u00e9dica.<\/p>\n<p>&#8220;O Estado precisa ter um papel mais atuante, \u00e9 uma grande quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica. Cada pessoa com dem\u00eancia precisa de tr\u00eas cuidadores&#8221;, diz ela. &#8220;A fam\u00edlia vai empobrecer, vai tirar gente do mercado de trabalho para cuidar e tem custos sociais, al\u00e9m dos rem\u00e9dios e dos profissionais.&#8221;<\/p>\n<p>Ivanilda Bas\u00edlio, 74, recebeu o diagn\u00f3stico de dem\u00eancia de 2020. Os exames e consultas que a levaram \u00e0 descoberta da doen\u00e7a foram feitos pelo sistema p\u00fablico de sa\u00fade, em um processo que a filha Fabiana Bas\u00edlio da Silva, 43, considera &#8220;muito lento&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea vai atr\u00e1s de neurologista, de psiquiatra, de psic\u00f3logo, de terapeuta ocupacional e, at\u00e9 eles fecharem todo o laudo, at\u00e9 o organismo aceitar os medicamentos, \u00e9 muito demorado. Fora o custo. Hoje n\u00f3s conseguimos atrav\u00e9s do SUS, mas demorou muito. Gast\u00e1vamos mensalmente R$ 500 em rem\u00e9dios&#8221;, conta Fabiana, que \u00e9 uma das principais cuidadoras da m\u00e3e, que mora em Heli\u00f3polis.<\/p>\n<p>Obter uma vaga no CDI, onde Ivanilda poderia receber apoio terap\u00eautico multiprofissional, foi outro entrave. &#8220;Antes disso, n\u00f3s [da fam\u00edlia] nos juntamos para custear uma cuidadora duas vezes na semana, mas minha m\u00e3e est\u00e1 desde junho na creche e \u00e9 outra pessoa no sentido de mobilidade, \u00e2nimo. Sei que n\u00e3o tem cura, mas ela est\u00e1 diferente, potencializou positivamente o tratamento&#8221;, relata.<\/p>\n<p>Idealizador do document\u00e1rio &#8220;Alzheimer na Periferia&#8221; (2020), Jorge Felix, professor de economia no curso de Gerontologia da USP, diz que a pr\u00f3pria cidade atua como antagonista do cuidador que vive na periferia, seja pela estrutura prec\u00e1ria das casas, pela dist\u00e2ncia dos centros m\u00e9dicos ou pelo custo do transporte.<\/p>\n<p>Para Felix, a legisla\u00e7\u00e3o brasileira idealiza a fam\u00edlia e delega uma responsabilidade sobre o cuidado que, na realidade, os familiares n\u00e3o conseguem absorver na totalidade. &#8220;O Alzheimer, devido \u00e0 representa\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica em filmes e novelas, sempre alimentou uma percep\u00e7\u00e3o de que \u00e9 uma doen\u00e7a de rico. Dessa forma, os pacientes mais pobres estiveram sempre invisibilizados&#8221;, afirma.<\/p>\n\n<p>Para ter uma vida saud\u00e1vel pode contar com os <a href=\"https:\/\/guiadoplanodesaude.com.br\/\">Planos de Sa\u00fade<\/a> chame consultor e solicite <a href=\"https:\/\/guiadoplanodesaude.com.br\/\">Cota\u00e7\u00e3o do Plano de Sa\u00fade<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alzheimer na periferia carrega diferentes desafios Alzheimer na periferia carrega diferentes desafios, Os sintomas de Josefa Maria Carneiro, 85, moradora de Heli\u00f3polis, em S\u00e3o Paulo, come\u00e7aram em 2001. O diagn\u00f3stico de Alzheimer, por\u00e9m, chegou 21 anos depois, em 2022, por meio do SUS (Sistema P\u00fablico de Sa\u00fade). 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